Frankenstein: O Moderno Prometeu.
“Maldito, maldito criador! Por que eu vivo? Por que não extingui, naquele instante, a centelha de vida que você tão desumanamente me concedeu?…”
“Onde estavam os meus amigos e meus parentes? Nenhum pai vigiara meus dias de criança, nenhuma mãe me dedicara seus sorrisos e suas carícias; ou, se assim fora, toda a minha vida era agora um borrão, um vazio em que eu nada distinguia. Até onde eu podia lembrar, sempre fora do tamanho que tinha agora. Jamais vira um ser semelhante a mim, ou que quisesse relacionar-se comigo. Que era eu?… Eu não dependia de ninguém nem estava relacionado com ninguém. Meu caminho para partir estava livre, e ninguém havia para lamentar a minha morte. Eu era horroroso e gigantesco. Que significava aquilo? Quem era eu? O que era eu? Donde vinha eu? Qual era meu destino? Era constantemente assaltado por essas perguntas, mas não conseguia respondê-las.”
Do Livro Frankenstein de Mary Shelley
A figura da criatura que o Dr. Frankenstein traz a vida sempre me fascinou assim como, creio eu, fascinou milhões de leitores e depois atravéz do cinema atingiu um público ainda maior.
A imagem que se tornou clássica da criatura foi inventada por Boris Karloff no filme de 1931. Ele cria a idéia das roupas curtas, testa alta, o cabelo e os parafusos no pescoço. Há uma filmagem anterior, de 1919 onde a criatura é mostrada como um louco, olhos brilhantes, meio corcunda e de cabelos longos.
Essa é uma foto da caracterização de Boris Karloff para a Criatura do Dr. Frankenstein.
Isso é uma coisa curiosa: a Criatura é conhecida como Frankenstein, o que não é certo. O Dr. Victor Frankenstein é o criador e a Criatura não tem nome. Também não podemos deixar de ver que ambos são o mesmo, nosso lado belo, alegre, inventivo, orgulhoso, vaidoso e muitas vezes nos tornamos criaturas… por exemplo, o primeiro trecho que transcrevo do livro de Mary Shelley é um diálogo da Criatura com seu Criador: quantas vezes não nos sentimos assim?
Mas esse personagem ligado ao horror, ao desespero, à solidão casa-se, forma uma família e retorna as telas agora da TV para divertir-nos em nossa infância:
Em 1964 entra no ar

Quem, com mais de 40 anos, não se lembra dessa simpática família?
Mas eles também lutavam contra o preconceito de outras famílias, dos vizinhos pois eram diferente de tudo. Por mais inocente que parecesse, essa série era altamente politizada e uma crítica a uma atitude americana de hostilizar os estrangeiros ou pessoas que tivessem um comportamento diferente do padrão da família branca americana.
Aqui começo minha escultura:

Tenho o modelo na tela do micro pra me basear.

Acho que está ficando interessante: as formas vão aparecendo.
Coloco mais testa e faço o cabelo, mais detalhes, detalhes, detalhes…


agora, escavar até ficar em uma expessura boa para fundição.
Já fundido, ainda na árvore.

E aqui terminado.

“Vemos as coisas não como elas são, mas como nós somos.”
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